Dados da Coleção 11 do MapBiomas indicam que a BR-319 preserva 86% de sua vegetação nativa em um raio de 20 quilômetros. O cenário contrasta com outras rodovias amazônicas, como a BR-163 e a BR-364, onde a ocupação pela agropecuária atinge, respectivamente, 39% e 43,5% da mesma área de abrangência.
Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia e do MapBiomas, aponta que estradas facilitam a ocupação territorial e o avanço da agropecuária. Sobre a BR-319, o especialista alerta que a pavimentação pode estimular frentes de ocupação em zonas preservadas, recomendando o fortalecimento do ordenamento territorial e da fiscalização ambiental para mitigar impactos indiretos.
O levantamento mostra que a agropecuária ocupa 15,5% do bioma Amazônia, totalizando 65,3 milhões de hectares em 2025. Desde 1985, a região perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Em contrapartida, as terras indígenas destacam-se pela conservação, mantendo 98,9% de cobertura vegetal nativa, enquanto áreas rurais privadas apresentam maior índice de uso agropecuário.
A região denominada Amacro, que compreende partes do Amazonas, Acre e Rondônia, registrou uma perda de 16% de vegetação nativa desde 1985, totalizando 7 milhões de hectares. Além disso, a mineração na Amazônia apresentou um aumento expressivo no período, passando de 32 mil hectares em 1985 para 440 mil hectares em 2025.
Texto: Redação
Imagem: Agência Brasil












