Tarifas dos EUA não devem impactar significativamente Zona Franca de Manaus, afirmam autoridades
Representantes do setor produtivo e autoridades do Amazonas reforçaram que a Zona Franca de Manaus (ZFM) dificilmente sofrerá impactos relevantes com as tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, que entrarão em vigor na próxima semana. O Polo Industrial de Manaus (PIM) exportou cerca de 99 milhões de dólares para os EUA em 2024, representando menos de 1% do total de suas vendas, que giram em torno de 37,5 bilhões de dólares no mercado interno.
O secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, destacou a robustez da produção local, citando que o polo de Duas Rodas fabricou 1 milhão de motocicletas nos primeiros seis meses deste ano, cenário que sinaliza uma economia aquecida e resiliente.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chegou a prever um impacto de R$ 1,1 bilhão no PIB do Amazonas, mas depois retificou a projeção para até R$ 1,1 milhão, destacando que o Estado será o menos afetado pelas novas tarifas americanas no país.
Antônio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), afirmou que a lista de cerca de 700 produtos isentos inclui itens produzidos na região, como castanha-do-pará e madeira, e que o efeito do aumento das tarifas deve ser pontual. Ele ressaltou que a maior parte do faturamento da ZFM é destinada ao mercado interno, com apenas 0,15% sujeita às novas tarifas.
Por sua vez, Lúcio Flávio de Oliveira, presidente executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), ressaltou que, embora o Amazonas seja o 16º estado que mais exporta para os EUA, o volume é modesto diante do faturamento total do PIM. Destacou ainda que entre os principais produtos exportados ao mercado americano estão motocicletas de alta cilindrada, além de nafta, querosene de aviação e madeira provenientes de Urucu e Coari, itens inicialmente incluídos na lista de exceções dos EUA.
O superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, divulgou a lista dos dez produtos mais exportados para os EUA em 2025, liderada pelas motocicletas de cilindrada acima de 125, com mais de 10,4 milhões de dólares em vendas, seguidas por distribuidores de papel-moeda (6,5 milhões), rodas dentadas e peças de transmissão (4,5 milhões) e lentes para óculos (3,4 milhões).
Ainda estão entre os principais itens exportados madeiras tropicais serradas, querosene de aviação, motocicletas de menor cilindrada, preparações para bebidas, castanhas-do-pará e cartas de jogar, totalizando cifras que reforçam a diversificação e resiliência do polo industrial amazonense.
Apesar dos ajustes nas tarifas americanas, especialistas alertam que o maior impacto pode ser sentido no mercado consumidor brasileiro, caso haja redução nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, especialmente em produtos como café e carnes, o que pode afetar a renda nacional e, indiretamente, a demanda interna atendida pelo PIM.
Texto: Redação
Imagem: Divulgação




