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Secas mais frequentes e intensas ameaçam ciclos da água e estoque de carbono na Amazônia

Secas mais frequentes e intensas ameaçam ciclos da água e estoque de carbono na Amazônia

Pesquisas recentes indicam que a ampliação das áreas afetadas pela seca e o prolongamento da estação seca na Amazônia, combinados com a recorrência de ondas de calor, desmatamento e uso do fogo, têm aumentado o estresse hídrico das árvores. Esse cenário prejudica a capacidade da floresta de recircular a água e estocar carbono de forma eficiente.

Os estudos foram conduzidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Laboratório de Sistemas Tropicais e Ciências Ambientais (Trees) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Parte dos resultados foi apresentada durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife.

Segundo a pesquisadora Liana Anderson (Cemaden), entre 50% e 60% das chuvas na região provêm da evapotranspiração da própria floresta, que recicla água ao respirar e devolvê-la à atmosfera. O prolongamento da estação seca e aumento da temperatura observado nas últimas décadas ameaçam este ciclo.

A temperatura mais elevada aumenta a respiração das árvores, levando a maiores perdas de carbono, e prejudica a fotossíntese, podendo causar danos estruturais às folhas. Isso aumenta a mortalidade das árvores durante a seca, comprometendo também a função da floresta em capturar e distribuir água.

Em seus estudos de campo, Anderson relata grande mortalidade entre as árvores de raiz profunda que auxiliam na reciclagem hídrica. A redução dessas árvores indica que o ciclo da água está sendo prejudicado, o que pode desencadear mudanças na estrutura da floresta e afetar seu ciclo hidrológico.

Entre 2000 e 2023, o período da estação seca aumentou e em 2015, 63% da Amazônia enfrentou estresse hídrico; em 2023, o índice foi de 61%. As bordas da floresta foram as áreas mais afetadas.

Outro estudo do Inpe, apoiado pela FAPESP, revelou que áreas com déficit hídrico severo perderam até 100 toneladas de carbono por hectare em 2005. Para cada grau de aumento da temperatura, o estoque de carbono na floresta reduz cerca de 6%. A queda na saúde das árvores deixa material lenhoso acumulado no chão, tornando a floresta mais suscetível a incêndios.

Texto: Redação
Imagem: Reprodução

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