Pesquisadores brasileiros, liderados pela professora Anna Caroline Aguiar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desenvolveram um composto sintético inovador capaz de atuar em três fases do ciclo da malária, tornando-o um forte candidato a futuro medicamento para tratamento e prevenção da doença. A molécula elimina o parasita Plasmodium nas fases hepática e sanguínea, responsáveis pela multiplicação e sintomas da malária no organismo humano, e também bloqueia a transmissão ao mosquito vetor, interrompendo o ciclo.
Um diferencial importante é sua eficácia contra o Plasmodium vivax, o mais comum no Brasil, e contra o mais agressivo Plasmodium falciparum. Essa ação tripla foi comprovada por meio de testes realizados na Fiocruz de Rondônia, ensaios celulares com sangue de pacientes e estudos em camundongos na Universidade Nova de Lisboa.
O composto age na mitocôndria do parasita, inibindo o complexo enzimático citocromo bc1, essencial para a produção de pirimidinas, componentes essenciais do DNA para a replicação do Plasmodium. A grande vantagem é sua alta seletividade, atacando as mitocôndrias do parasita sem danificar as células humanas.
Apesar dos avanços promissores, os pesquisadores alertam que ainda há um longo caminho até que o composto se torne um medicamento disponível, já que a malária segue sendo uma doença devastadora, com cerca de 600 mil mortes anuais, principalmente na África.
“A molécula é uma excelente candidata. Os indícios justificam o investimento para desenvolvimento futuro, pois o parasita desenvolve resistência aos tratamentos atuais”, destaca Rafael Guido, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP (IFSC-USP) e coautor da pesquisa.
Esta descoberta representa um avanço significativo no combate à malária, possibilitando tratar o doente e ao mesmo tempo interromper a cadeia de transmissão da doença, especialmente importante em regiões endêmicas como a Amazônia.
Texto: Redação com informações de Agência Brasil
Imagem: Agência Brasil




