Rios sob domínio: facções usam a Amazônia como corredor invisível para o tráfico
Durante a noite, os rios da Amazônia se tornam rotas clandestinas onde embarcações percorrem silenciosamente, transportando drogas camufladas em fundos falsos, gelo ou barro, evitando a fiscalização. Comunidades ribeirinhas, muitas vezes sem alternativas, acabam sendo parte dessa rede criminosa que movimenta não apenas entorpecentes, mas também contrabando de armas, combustíveis, garimpo ilegal, pesca predatória e extração de madeira clandestina.
O capitão Dilson, do Comando de Policiamento Ambiental da PM-AM, explica que muitos ribeirinhos não têm opção de recusar o envolvimento. Em troca do transporte, recebem combustível mais barato, favores e benefícios das facções. A cooptação acontece em uma realidade onde o Estado não chega com políticas públicas efetivas.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) já atuam em 344 municípios da Amazônia Legal, um aumento de 32% em apenas um ano. No Amazonas, diferente de outras regiões, o crime organizado enraizou-se primeiro em cidades pequenas e estratégicas próximas às fronteiras, como Tabatinga, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant, que servem como bases de entrada para drogas vindas da Colômbia e Peru, seguindo pelo rio até Manaus e além.
Especialistas destacam que o aliciamento da população local não é apenas por intimidação, mas pela oferta de meios de sobrevivência em regiões carentes, criando uma economia criminosa integrada ao cotidiano das comunidades. Muitas vezes, o ribeirinho não se percebe cúmplice, mas como alguém que busca sobreviver.
No modus operandi das facções, o CV prioriza o domínio territorial pela força, enquanto o PCC foca mais na lavagem de dinheiro. Inicialmente, o tráfico de drogas é a base da economia, mas depois que dominam o território, ampliam suas ações para crimes como grilagem, garimpo e crimes ambientais.
O isolamento geográfico da Amazônia facilita o domínio dessas organizações, que usam mão de obra de grupos vulneráveis para manter o controle. Muitos moradores cedem às ordens por falta de alternativa, e frequentemente desconhecem o destino final das drogas transportadas.
Texto: Redação com informações de Acrítica
Imagem: Jeiza Russo




