O Ministério do Trabalho adicionou a montadora chinesa BYD ao cadastro de empresas que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conforme documento oficial divulgado pela pasta. A decisão decorre de um escândalo de 2024, no qual 163 trabalhadores chineses contratados pela empresa Jinjiang Group para atuar no Brasil foram vítimas de tráfico humano e contratos abusivos.
Segundo autoridades brasileiras, a BYD é responsável final pelas condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e deveria ter supervisionado melhor os prestadores de serviço. A investigação revelou que os trabalhadores foram obrigados a entregar seus passaportes, tiveram grande parte dos salários remetidos diretamente à China e precisaram pagar um depósito de quase US$ 900, que só poderia ser devolvido após seis meses de trabalho.
Além disso, uma inspeção encontrou os chineses amontoados em alojamentos precários, sem colchões, com trinta e um trabalhadores dividindo uma única casa com apenas um banheiro e comida armazenada no chão ao lado de seus pertences pessoais, caracterizando condições degradantes.
O escândalo gerou repercussão internacional, incluindo na China, e atrasou por meses a construção da fábrica da BYD no Brasil. A inclusão na lista do Ministério do Trabalho dificulta o acesso da montadora a certos empréstimos bancários no país e agrava o impacto negativo em sua reputação.
A BYD não divulgou nota sobre o caso. O Jinjiang Group negou as acusações, enquanto a empresa afirmou anteriormente desconhecer qualquer irregularidade até a repercussão na mídia brasileira em novembro de 2025.
Texto: Redação com informações de Infomôney
Imagem: Joa Souza




