Licença para perfuração na Foz do Amazonas gera polêmica entre ambientalistas e governo
A recente autorização do Ibama para que a Petrobras perfure poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, tem provocado críticas de ambientalistas, cientistas e movimentos sociais, que alertam para os riscos ambientais e climáticos dessa decisão.
Organizações da sociedade civil contestam o licenciamento, apontando ilegalidades e falhas técnicas, e prometem ação judicial para anular a licença. O grupo ressalta que a medida conflita com os compromissos climáticos globais, especialmente com a próxima COP30, que terá foco na Amazônia, região vital para o equilíbrio climático e biodiversidade mundial.
Para especialistas como Carlos Nobre e Paulo Artaxo, a ampliação da exploração de petróleo na Amazônia agrava a crise climática, ao passo que o país poderia investir mais fortemente em fontes renováveis, como solar e eólica. Lideranças ambientais apontam que a decisão do Ibama é política e contrária à transição energética necessária, e afirmam que a Petrobras mantém um papel central na expansão do setor fóssil na América Latina.
Do lado da Petrobras, a empresa afirmou que a perfuração começará em breve em águas profundas do Amapá, com duração de cerca de cinco meses, apenas para pesquisa sem produção efetiva de petróleo no momento. A companhia garante ter cumprido rigorosamente os requisitos ambientais exigidos pelo Ibama.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, considera a aprovação da licença uma “conquista da sociedade brasileira” e enfatiza o compromisso com o desenvolvimento do país aliado ao diálogo institucional. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) também vê a licença como importante para a segurança energética e o desenvolvimento socioeconômico da Região Norte.
No âmbito governamental, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ser favorável à transição energética, mas ressaltou que o mundo ainda não está preparado para viver sem petróleo. Destacou que o país não pode abdicar dessa riqueza, desde que preservado o meio ambiente. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu as contradições entre explorar petróleo e avançar para energias limpas, e sinalizou disposição para superar esses desafios.
Texto: Redação com informações de Agência Brasil
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