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Internacional: Conflito pode derrubar exportações do AM e agravar crise migratória

A escalada de tensões na Venezuela, motivada pela tentativa dos Estados Unidos de derrubar o regime de Nicolás Maduro, já resultou em 87 mortes e acende um alerta para possíveis impactos diretos no Amazonas. Especialistas apontam que um conflito armado prejudicaria as exportações do estado para a Venezuela, seu quinto maior parceiro comercial, e intensificaria ainda mais a crise migratória na região.

Os Estados Unidos aumentaram a pressão ao ordenar o bloqueio de navios petroleiros que comercializam petróleo venezuelano, além do envio de tropas e ataques a embarcações suspeitas no Caribe. O Amazonas exporta para a Venezuela cerca de US$ 308 milhões entre 2022 e 2025, com produtos alimentícios como farinhas, açúcares e óleos, representando quase 9% do total das exportações estaduais. Para Roraima, a dependência é ainda maior, com 40% das exportações destinadas ao país vizinho.

Do ponto de vista migratório, o professor Cleiton Maciel alerta que uma guerra seria capaz de promover uma onda migratória de proporções inéditas, semelhante às crises recentes em Gaza e Ucrânia. A situação complexa é também um resultado da disputa geopolítica mais ampla entre EUA, China e Rússia, com a Venezuela como palco estratégico para essa rivalidade.

Apesar do cenário tenso, o professor João Carlos Jarochinski Silva ressalta que relações econômicas profundas entre EUA e Venezuela, como o comércio de petróleo, e a falta de apoio doméstico nos EUA para ações militares externas complexificam uma intervenção direta. Ainda assim, o debate sobre o futuro da região continua dentro de um contexto político delicado, com risco de consequências econômicas, sociais e humanitárias graves para estados fronteiriços como o Amazonas.

Texto: Redação
Imagem: Martin BERNETTI / AFP

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