Escalada de linchamentos no interior do Amazonas expõe fragilidades na segurança pública
Nos últimos anos, o Amazonas tem vivido uma série de linchamentos de presos, acompanhados de atos de vandalismo em delegacias. Cidades como Borba, Fonte Boa, Jutaí e Tonantins, onde recentemente um homem de 38 anos foi linchado e queimado vivo em praça pública, protagonizam esses episódios que chocam pela violência e selvageria coletiva.
O desembargador responsável pelo caso de Tonantins classificou o ato como “barbárie evidente” e defendeu a necessidade de reforço da segurança estadual para evitar tais práticas. Ele também chamou para uma reflexão social com objetivo de combater a violência.
Segundo o professor Fabio Candotti, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), embora esses linchamentos não sejam frequentes, ocorrem com certa regularidade no interior e seguem um padrão: crimes brutais contra vulneráveis geram prisões, seguidas da retirada dos suspeitos das delegacias por grupos e linchamentos que, em alguns casos, terminam com incêndios.
Ele ressalta que esses episódios não refletem o tipo mais comum de linchamento no estado, que geralmente envolve pessoas acusadas de roubos — atos de tortura pública sem retirada da detenção e fogo. Além disso, quem pratica tais linchamentos costuma ser um grupo restrito de homens, raramente responsabilizados judicialmente, o que contribui para a naturalização desses crimes.
Casos emblemáticos:
Em Borba, Gabriel Lima Cardoso, 18 anos, suspeito de estupro e assassinato de uma adolescente, foi retirado da carceragem pela população e morto em via pública, com registro de ferimentos até em policiais que tentaram impedir o ato.
Em Fonte Boa, depoimentos confirmaram que suspeitos tiveram suas vidas ceifadas após serem retirados da delegacia.
Em Jutaí, um homem acusado de estuprar e matar uma criança de um ano foi linchado e queimado por uma multidão, incluindo a mãe da vítima.
Em Tonantins, José Andrei de Matos Rodrigues foi linchado e queimado vivo, após ser acusado de matar sua mãe e tentar matar sua irmã. A corregedoria da SSP-AM investiga a possível ausência do delegado no momento do crime.
Texto: Redação
Imagem: Divulgação




