Produção de condicionadores de ar na Zona Franca de Manaus enfrenta risco de paralisação por falta de compressores nacionais
O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, alertou para um grave problema na cadeia produtiva dos condicionadores de ar no Polo Industrial de Manaus (PIM). Desde março de 2025, a produção está ameaçada devido à insuficiência de compressores nacionais, componente obrigatório pelo Processo Produtivo Básico (PPB) para manter os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Atualmente, a única fábrica de compressores inverter localizada no Brasil é a Tecumseh, em São Carlos (SP), que não consegue suprir a demanda exigida pelas fabricantes localizadas no PIM. O PPB obriga que 12% dos condicionadores produzidos adquiram compressores fabricados no Brasil, mas a produção da Tecumseh não alcança esse percentual.
Jorge Nascimento propôs ao governo federal que o PPB seja alterado para que a exigência de compra de compressores nacionais corresponda à capacidade real de produção da Tecumseh, evitando prejuízos às empresas fabricantes no Amazonas. Caso o percentual de 12% continue obrigatório, sem suprimento suficiente, as indústrias podem perder incentivos fiscais, acarretando paralisação nas linhas de produção, demissões e risco de saída da ZFM.
A situação é crítica, pois o PIM é a segunda maior produtora mundial de condicionadores de ar, atrás apenas da China. Jorge destacou ainda a expectativa de que uma consulta pública com a possível alteração do PPB seja publicada em setembro, depois de atrasos nos meses anteriores.
No segundo semestre, com o aumento da produção para o verão, o temor das empresas é não conseguirem cumprir os requisitos do PPB até o fim do ano.
Durante reunião do Conselho Administrativo da Suframa (CAS), o secretário da Sedecti, Serafim Correa, enfatizou a necessidade de “desatar esse nó” da produção nacional de compressores. Já o secretário-executivo do MDIC, Márcio Rosa, afirmou que o governo está ciente e realizará reunião técnica para buscar solução, com previsão de definição até outubro.
O presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, também pediu a revisão imediata da portaria do PPB, destacando que a atual exigência configura um obstáculo ao setor pela indisponibilidade nacional do compressor e impacto na produção local.
Texto: Redação
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