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Economia: Movimentação de soja e milho no Arco Amazônico cresce 288% nos últimos dez anos

Movimentação de soja e milho no Arco Amazônico cresce 288% nos últimos dez anos

A região do Arco Amazônico, que engloba terminais portuários ao longo do rio Amazonas e seus afluentes, tem se destacado no cenário logístico nacional. Em 2024, a movimentação total da região atingiu 87,8 milhões de toneladas, um aumento de 4,8% em relação a 2023, consolidando o Arco Amazônico como uma rota estratégica para o escoamento de commodities agrícolas brasileiras.

Levantamento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) aponta que 64% desse volume foi movimentado por Terminais de Uso Privado (TUPs), evidenciando o protagonismo da iniciativa privada. A movimentação é liderada por cargas de granel sólido, com 23,9 milhões de toneladas de bauxita, 17,1 milhões de soja e 13,7 milhões de milho. Também se destacam os volumes expressivos de carga conteinerizada (9,9 milhões de toneladas) e produtos como químicos inorgânicos, petróleo, adubos e soda cáustica.

Nos últimos dez anos, a movimentação de soja e milho cresceu 288,1% na região, taxa muito superior aos portos tradicionais de Santos (SP) e Paranaguá (PR), que registraram, respectivamente, aumentos de 55,3% e 17,2%. Em 2024, a região transportou 30,9 milhões de toneladas dessas commodities, representando 22,8% do total nacional – contra 32,4% em Santos e 10,6% em Paranaguá.

Apesar do avanço, desafios logísticos permanecem. A estiagem prolongada e a demora em dragagens de manutenção reduziram a capacidade de carregamento das embarcações, refletindo numa queda de 8,7% no volume movimentado nos primeiros cinco meses de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em resposta, a ATP intensificou esforços para fortalecer a navegação na região. O projeto da Barra Norte visa ampliar o calado autorizado para melhorar a eficiência logística. Além disso, o Comitê de Infraestrutura da ATP trabalha com órgãos como o DNIT e o Ibama para viabilizar dragagens estratégicas, como a do rio Tapajós.

Outro foco é a defesa do modelo de concessões hidroviárias, que delega a concessionários responsabilidades técnicas e operacionais essenciais para garantir a regularidade e previsibilidade da navegação interior.

Para Murillo Barbosa, presidente da ATP, políticas públicas estruturantes, parcerias institucionais e ambiente regulatório favorável são fundamentais para o crescimento da região como corredor logístico. “Com sua vocação natural para a navegação interior e sua posição geográfica privilegiada, a região tem todas as condições para ampliar sua participação no escoamento da produção nacional, desde que superados os atuais gargalos operacionais”, afirmou.

Texto: Redação com informações de ACrítica
Imagem: Divulgação

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