Rádio Metropolitana Manaus

Notícias

Após tarifaço de Trump, 90% dos parlamentares amazonenses não se posicionam sobre o assunto

Após tarifaço de Trump, 90% dos parlamentares amazonenses não se posicionam sobre o assunto

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros, a grande maioria dos parlamentares do Amazonas permaneceu em silêncio sobre o tema. Dados mostram que 90% dos políticos da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) não se manifestaram nas redes sociais, especialmente no Instagram. Entre os que comentaram, apenas parlamentares alinhados ao ex-presidente Bolsonaro manifestaram apoio às medidas de Trump.

Os vereadores da Câmara de Manaus estão em recesso, e 37 dos 41 não mencionaram o tema nas redes sociais, correspondendo a 90% de silêncio. Na Aleam, apenas dois deputados se posicionaram criticando o governo Lula e apoiando Bolsonaro, refletindo o silêncio de 91% do legislativo estadual, que não realizou sessão plenária no dia 10.

Entre os que se pronunciaram, o vereador Coronel Rosses (PL), que esteve presente na posse de Trump, destacou em seu Instagram o suposto apoio do ex-presidente americano a Bolsonaro, citando uma articulação de Eduardo Bolsonaro com uma rede de congressistas dos Estados Unidos. Ainda, ele classificou a taxação como consequência da “maneira desastrosa” da política externa do governo Lula, culpabilizando diretamente o presidente brasileiro e seu entorno pelos atritos.

Outro bolsonarista, Raiff Matos (PL), afirmou que a taxação representa uma punição dos Estados Unidos a países que, segundo ele, “flertam com regimes de esquerda” e abandonam aliados históricos, em referência ao Brasil. Matos acusou o governo brasileiro de perseguir valores familiares e a liberdade, sem mencionar que também aliados dos Estados Unidos, como México e Canadá, foram alvos de tarifas norte-americanas. Ele ainda ignorou a relação dos Estados Unidos com governos pouco democráticos como o da Arábia Saudita.

Por outro lado, o vereador Zé Ricardo (PT) classificou a medida como “inaceitável”, ressaltando que a justificativa comercial para a taxação é injusta, uma vez que o Brasil compra mais dos Estados Unidos do que vende para o país. Ele criticou o uso de questões políticas domésticas brasileiras para justificar a elevação das tarifas, qualificando a atitude como um ataque à soberania do Brasil e à democracia.

Segundo Zé Ricardo, que também é economista, a taxação aumentará o preço de produtos brasileiros nos Estados Unidos, impactando o comércio local, mas criou perspectivas para o Brasil buscar novos mercados, principalmente na Ásia e outras regiões.

O cenário evidencia a necessidade de diálogo entre os governos federal, estadual e municipal para buscar soluções, proteger interesses e resguardar os empregos no Amazonas diante do impacto da medida norte-americana.

Texto: Redação
Imagem: Mylena Fraiha

Talvez você goste também