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Área de vegetação nativa fragmentada recua 43% em quase quatro décadas

Área de vegetação nativa fragmentada recua 43% em quase quatro décadas

Dados recentes do módulo de Degradação do MapBiomas, divulgados na quinta-feira (29), indicam que a área de vegetação nativa brasileira fragmentada por ações humanas diminuiu 43% entre 1986 e 2024. O levantamento aponta que o país passou de 287 milhões de hectares fragmentados para 163 milhões no período. Embora a extensão total tenha reduzido, o número de recortes isolados cresceu de 2,35 milhões para 3,41 milhões, evidenciando uma paisagem cada vez mais dividida.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas, Dhemerson Conciani, alerta que o aumento da segmentação dificulta a dispersão de sementes e a circulação de animais, prejudicando a reprodução de espécies. O especialista ressalta que essa fragmentação reduz o fluxo gênico e eleva o risco de extinções locais, além de tornar as matas mais vulneráveis a ventos, assoreamento e ao fogo.

A Mata Atlântica apresenta o cenário mais crítico em número de fragmentos, com 1,38 milhão de áreas recortadas, seguida pelo Cerrado, com 957 mil. Em termos de tamanho médio dos trechos, a Região Norte mantém áreas mais contínuas, sendo que no Amazonas a média é de 4 mil hectares por fragmento. O município de Itamarati (AM) registra a maior média nacional, com 65,6 mil hectares.

O estudo estima que entre 7% e 18% da vegetação nativa brasileira esteja situada em áreas de borda, zonas de transição sujeitas a maior degradação. A Mata Atlântica é o bioma com maior proporção de exposição, variando de 29% a 66%. Os resultados foram apresentados em Yerevan, na Armênia, durante a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Eduardo Vélez, pesquisador da GeoKarten e integrante do grupo de Degradação do MapBiomas, afirmou em entrevista a um veículo de imprensa que o monitoramento é essencial para enfrentar a crise da biodiversidade. Segundo o especialista, os dados servem como base estratégica para conter o agravamento do problema e subsidiar ações de restauração que busquem reconectar ecossistemas.

Texto: Redação
Imagem: Agência Brasil

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