Mais de 380 animais silvestres vivos foram apreendidos no Amazonas no primeiro semestre de 2025
Entre janeiro e junho de 2025, pelo menos nove operações de fiscalização ambiental no Amazonas resultaram na apreensão de 380 animais silvestres vivos e cerca de 2,4 toneladas de carne oriunda da caça ilegal, conforme dados da Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
As ações focaram principalmente em Manaus, abrangendo ainda áreas próximas a unidades de conservação e rodovias estaduais no interior do estado. A maioria das apreensões ocorreu em feiras, portos, mercados e regiões periféricas da capital, onde foram identificados o transporte, armazenamento e comércio irregular de fauna e carne de caça.
Dr. Antônio F. Carvalho, especialista da WCS Brasil no combate ao tráfico de animais silvestres, comenta que a atividade possui caráter sistêmico, especialmente na Amazônia, onde a fiscalização insuficiente favorece a captura e comercialização ilegal de espécies variadas. Segundo ele, o comércio ilegal vai de insetos, como abelhas sem ferrão, até grandes predadores, como a onça-pintada, e é impulsionado pela exposição de animais em redes sociais por influenciadores que exploram comercialmente esses animais sob a alegação de resgate ou cuidado.
Os compradores variam, indo desde redes criminosas que operam no âmbito global até colecionadores privados e zoológicos, interessados em espécies raras e ameaçadas. Carvalho cita o exemplo do tráfico de espécies como mico-leão-dourado e arara-azul-de-lear, que teriam sido transportadas para o Brasil com documentação fraudulenta.
A falta de fiscalização estruturada é um grande empecilho. O especialista destaca o baixo nível de repressão e punição em crimes ambientais ligados ao tráfico de fauna, que possui alta relevância ecológica e sanitária. Ele lembra a situação da ararinha-azul, extinta na natureza em 2000 em grande parte devido ao tráfico.
Apesar da existência de milhares de infrações ambientais registradas, os dados oficiais subdimensionam o tráfico, evidenciando falhas no monitoramento e na atuação do sistema de justiça. Essa discrepância entre o discurso internacional do Brasil e a sua prática interna reforça a necessidade urgente de mudanças, alerta Carvalho.
Texto: Redação
Imagem: Divulgação




