Indiciado por corrupção, Eduardo Braga é um dos principais apoios de David Almeida na reeleição em Manaus
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) se tornou alvo de um indiciamento pela Polícia Federal por sua suposta participação em um esquema de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado ao Caso Hypera Pharma. Juntamente com Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), Braga é acusado de ter recebido propina em troca de favorecer a antiga Hypermarcas, atual Hypera Pharma, em negociações no Congresso Nacional.
Apesar do peso das acusações, Eduardo Braga permanece ativo na política e, recentemente, manifestou seu apoio à candidatura à reeleição do prefeito David Almeida em Manaus. Essa aliança pode ser vista como uma tentativa de fortalecer sua base política local, mesmo diante das investigações que cercam seu nome.
Esquema de Propina e Benefícios no Congresso
A investigação revela que a Hypermarcas teria desembolsado cerca de R$ 20 milhões para garantir vantagens em projetos de lei que tratavam de incentivos fiscais. Entre 2014 e 2015, os senadores envolvidos teriam trabalhado para favorecer a empresa em diversas tramitações no Congresso. A PF apontou ainda que Renan Calheiros indicou um nome para a diretoria da Anvisa, com o intuito de proteger os interesses da Hypermarcas na agência reguladora.
Peças-Chave do Esquema
Nelson Mello, ex-diretor da Hypermarcas, admitiu ter criado contratos fictícios com empresas ligadas ao lobista Milton Lyra, visando o repasse de propinas. Lyra também foi indiciado por lavagem de dinheiro. O caso de Romero Jucá foi encaminhado à Justiça Federal do Distrito Federal, uma vez que ele não possui mais foro privilegiado.
Provas e Delações
Delações confirmaram a atuação de operadores financeiros que garantiram o repasse dos recursos ilícitos aos senadores, assegurando a aprovação de medidas provisórias em benefício da Hypermarcas. A PF corroborou esses relatos, evidenciando que muitos serviços contratados pelas empresas não foram efetivamente executados.
Mudança de Nome e Acordo de Leniência
Diante das consequências das investigações, a Hypermarcas alterou seu nome para Hypera Pharma em 2018, buscando desvincular-se do escândalo. João Alves de Queiroz Filho, fundador e maior acionista, deixou o conselho de administração após ser alvo das investigações. A empresa completou suas apurações internas em 2020 e firmou um acordo de leniência em 2022. Atualmente, a Hypera Pharma se destaca como uma das maiores produtoras de medicamentos no Brasil, com um portfólio abrangente que inclui antibióticos e anti-inflamatórios.
Conclusão
Enquanto as investigações continuam a desenrolar os laços de corrupção, Eduardo Braga mantém sua influência política e apoia a reeleição de David Almeida, desafiando as repercussões de seu indiciamento e a percepção pública sobre sua integridade.