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Ultrassom morfológico no primeiro trimestre: essencial para o diagnóstico precoce de doenças no feto

Ultrassom morfológico no primeiro trimestre: essencial para o diagnóstico precoce de doenças no feto

Com o avanço da medicina, problemas que colocam a vida do feto em risco ou prejudicam sua qualidade de vida podem ser tratados precocemente. O ultrassom morfológico realizado no primeiro trimestre de gestação é fundamental para avaliar o bebê de forma detalhada, permitindo a identificação de malformações antes do nascimento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 300 mil crianças morrem em todo o mundo nas primeiras quatro semanas de vida devido a anomalias congênitas. No Brasil, essas condições estão entre as principais causas de mortalidade infantil, segundo o Ministério da Saúde.

A especialista em medicina fetal, Marianna Brock, ressalta que o ultrassom morfológico no primeiro trimestre é essencial para o diagnóstico precoce de patologias tanto do bebê quanto da mãe. Segundo ela, o exame deve ser realizado entre 10 semanas e 6 dias e 13 semanas e 6 dias de gestação, sem a necessidade de um preparo específico.

“A ultrassonografia é imprescindível no acompanhamento de uma gravidez, pois possibilita identificar e, em alguns casos, tratar doenças. O ultrassom morfológico é mais detalhado, avaliando o bebê, calculando o risco de síndromes e também o risco de pré-eclâmpsia, que é a hipertensão específica da gravidez”, explicou Brock.

A ginecologista e obstetra, que é membro da Comissão Nacional de Medicina Fetal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), também alerta para as doenças mais comuns no início da gestação, como a anencefalia, displasias esqueléticas e problemas cardíacos.

Além disso, o exame morfológico permite o rastreamento de síndromes por meio da medida da translucência nucal, que avalia o líquido na nuca do feto, além da análise do osso nasal e do ducto venoso, que avalia a função cardíaca. O Doppler das artérias uterinas também permite o rastreio precoce de pré-eclâmpsia.

Anomalias e tratamentos intrauterinos

Marianna Brock explica que anomalias congênitas são aquelas presentes no bebê ao nascimento, enquanto anomalias funcionais afetam a função de órgãos. Certas condições, como a mielomeningocele, complicações de gestações gemelares e malformações de hérnia diafragmática, podem ser tratadas com cirurgia intrauterina.

Importância do pré-natal

A especialista reforça a importância do pré-natal para o desenvolvimento saudável da gestação e a segurança do parto. “Assim que a gravidez for descoberta, o pré-natal deve ser iniciado, incluindo todos os exames necessários”, orientou Brock.

Ela alerta que a falta de acompanhamento adequado na fase inicial da gravidez pode resultar em diagnósticos tardios de patologias graves e perda de oportunidades de tratamento. “Não há uma receita para evitar uma gestação de risco, mas manter uma vida saudável pode ajudar na prevenção”, concluiu.

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